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A tristeza que não passa: O que está por trás quando nada parece ter sentido e por que isso não é fraqueza.

  • Foto do escritor: Lucas Farias
    Lucas Farias
  • 11 de mar.
  • 4 min de leitura


Existe uma tristeza que todo mundo entende, a que vem depois de uma perda, de uma decepção, de um fim. Ela dói, mas tem um contorno. Com o tempo, vai diminuindo. A vida retoma seu movimento.

Mas existe outra tristeza. Essa é diferente. Ela não tem começo claro, não tem uma causa óbvia que você possa apontar. Está presente ao acordar e ao deitar. Torna as coisas que antes tinham sabor insossas. Faz o futuro parecer uma parede cinza. E o pior: não passa. Semanas, meses, às vezes anos.

Se você conhece essa sensação, saiba que não está sozinho e que há um nome, uma compreensão e um caminho para isso. A psicanálise, desde Freud, tem muito a dizer sobre esse tipo de sofrimento que vai além da tristeza comum e que merece ser levado a sério.

 

Luto e Melancolia: Uma Distinção Fundamental


Em 1917, Freud escreveu um dos textos mais importantes da psicanálise: Luto e Melancolia. Nele, ele diferenciou dois estados que, à primeira vista, se parecem muito, mas que têm naturezas profundamente distintas.

No luto, a pessoa sabe o que perdeu. Pode ser uma pessoa amada, um relacionamento, um emprego, uma fase da vida. A dor é real e intensa, mas existe um objeto claro de perda. O luto tem um trabalho a fazer: o de ir, aos poucos, se desprendendo daquilo que se foi e esse trabalho, quando feito, permite que a vida siga.

Na melancolia o que hoje chamamos de depressão profunda, algo diferente acontece. A pessoa sente que perdeu algo, mas não consegue nomear o quê. Há um vazio, uma escuridão, uma sensação de que algo essencial foi embora. Mas esse "algo" permanece misterioso, inacessível à consciência.

"No luto, o mundo ficou pobre e vazio. Na melancolia, é o próprio ego que ficou pobre e vazio."

Essa distinção é importante. Ela explica por que tantas pessoas que vivem com depressão se sentem perdidas diante da pergunta "mas por que você está assim?", porque a perda que está na raiz do sofrimento muitas vezes não é consciente. Ela aconteceu antes de haver palavras para ela, ou foi tão dolorosa que precisou ser enterrada fundo.


Quando a Raiva Não Encontra Saída



A agressividade que se volta para dentro

Freud observou algo perturbador na melancolia: os pacientes frequentemente se autodepreciavam de forma intensa e cruel. Diziam ser inúteis, incapazes, indignos de amor. Culpavam-se por tudo. Às vezes, chegavam a sentir que mereciam sofrer.

Mas ao escutar de perto essas autocríticas, Freud percebeu algo curioso: elas não pareciam falar sobre a própria pessoa. Pareciam, na verdade, falar sobre alguém que a pessoa havia perdido ou amado. Era como se a raiva, a decepção e o ressentimento que deveriam ser direcionados a outro alguém que partiu, que decepcionou, que abandonou tivessem sido redirecionados para dentro.

Em vez de "estou com raiva de você por ter me deixado", o inconsciente transforma isso em "eu sou o problema". Em vez de "você me magoou", vem "eu não presto". A agressividade que não encontrou um caminho para fora volta contra o próprio sujeito e é isso que, em parte, alimenta o sofrimento depressivo.

"A sombra do objeto caiu sobre o ego. A raiva que não pôde ser dirigida ao outro encontrou, no próprio sujeito, seu destino."

Isso não significa que quem está deprimido seja agressivo por natureza, ou que haja uma culpa a ser atribuída. Significa que há uma dor que não encontrou expressão e que, sem um lugar para ir, voltou para casa.


O Que a Depressão Está Tentando Dizer


Numa cultura que valoriza a produtividade acima de tudo, a depressão costuma ser tratada como um defeito a ser corrigido o mais rápido possível. Tome o remédio, mude os hábitos, pense positivo, volte a funcionar. E às vezes esse suporte é necessário e bem-vindo.

Mas a psicanálise propõe uma escuta diferente: e se a depressão não for apenas um mal funcionamento do cérebro, mas também uma mensa

gem? E se esse esgotamento, esse vazio, esse "não consigo mais" for o único jeito que a psique encontrou de dizer que algo importante precisa de atenção?

Para muitos adultos, entre 30 e 50 anos, a depressão surge justamente num momento em que, de fora, "tudo parece bem". A carreira avançou, a família foi construída, as metas foram cumpridas. E ainda assim, há um vazio. Uma sensação de "é só isso?" que não se consegue admitir facilmente porque parece ingratidão, fraqueza, falta de motivo.

Mas esse vazio tem história. Tem raízes. E merece ser escutado, não silenciado.


Sair do vazio não É esquecer, é elaborar


Uma das maiores contribuições da psicanálise para quem sofre de depressão é oferecer algo que vai além do alívio dos sintomas: a possibilidade de elaborar o que está na raiz do sofrimento. Nomear a perda que nunca foi nomeada. Reconhecer a raiva que foi engolida. Dar um destino diferente para uma dor que ficou presa.

Esse processo não é rápido, e não precisa ser. Mas ele tem uma direção. E ao longo do caminho, algo vai mudando: não necessariamente que a tristeza desaparece de uma hora para outra, mas que ela começa a fazer sentido. Que a pessoa começa a se reconhecer menos como "alguém que está sempre assim" e mais como alguém que carrega uma história, e que pode, finalmente, começar a reescrevê-la.

Se você chegou até aqui, talvez reconheça em si mesmo algo do que foi descrito. Talvez essa tristeza que não passa já dure tempo demais. Talvez você já esteja cansado de carregar esse peso sem entender de onde ele vem.

 

Isso, por si só, já é um ponto de partida.

 

A psicoterapia psicanalítica oferece um espaço para que você possa falar e, ao falar, começar a entender o que está por trás do que sente. Sem julgamentos, sem pressa, no seu tempo.


 
 
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Lucas Farias

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